Se já assistiram Dark Knight Rises, precisam que eu fale mais alguma coisa? Sério? Preciso mesmo falar o quanto Nolan é genial? O quanto as interpretações de Bane e Mulher-Gato foram excepcionais, contrariando todas as minhas expectativas? O quão improvável será fazerem uma saga do Batman que bata essa? É necessário? Beleza então. Comecemos por…

Palmas para Cristopher Nolan! O cara demonstra ser um dos maiores diretores de todos os tempos a cada filme feito. É dele a proeza de levar o herói mais fodástico do universo dos quadrinhos a um nível superior. A atmosfera sombria, detalhista e, principalmente, realista implantada por ele na trilogia, tirou-a do nicho “ótimo filme de super-heróis” e levou-a ao patamar dos grandes filmes já feitos na história. Não são filmes que você assiste uma vez e sabe que daqui a alguns anos (após passar um milhão de vezes na Sessão da Tarde e ninguém mais aguentar assistir) será batido por outro filme com uma história ligeiramente diferente e efeitos especiais mais bem atualizados. Essa trilogia já bate qualquer outro filme feito do Morcego, e serão filmes a serem batidos no futuro. Acho meio impossível fazerem melhor que isso, mas boa sorte ao próximo que tentar.

Agora, falando da expectativa do filme. A história continua profunda, o que já era esperado, e não é um filme separado, que possa ser usado de comparação com os outros, o que gerava expectativa falsas de que esse filme seria muito pior do que o Dark Knight. Ele é a conclusão da saga, utilizando-se de pequenos fios soltos deixados nos outros filmes para criar a história deste. Sem a introdução firme do Begins e o desenvolvimento magistral do Dark este filme não existiria, o que demonstra que a trilogia pode ser vista como uma produção só, bem arquitetada desde o começo para chegar ao final épico. E que final!

O que mais impressiona nas histórias do Batman, são os seus inimigos. Como é um quadrinho que envolve um herói sem poderes, a maior parte de seus vilões também não os tem, o que faz com que o foco seja mais na trama e na personalidade de seus personagens do que na porradaria em que eles se envolvem. Nolan pegou esse foco e investiu ele com força em seus filmes, criando batalhas mais psicológicas do que físicas. Bane (Tom Hardy), que nos quadrinhos usa de uma droga chamada Veneno para adquirir um grande aumento em sua força física, é retratado nesse filme como um vilão treinado pela Liga das Sombras de Ra’s Al Ghul e pretende seguir o plano de destruir Gotham. Imponente, inteligente e cruel, ele domina a cidade inteira e deixa todos de mãos atadas por um só sentimento: o medo. Foda. Selina Kyle é a maior surpresa desse filme. Quem diria que Anne Hathaway podia interpretar uma personagem sexy e perigosa tão bem? E eu aqui achando que ela iria esmerdear o filme. Foda também. Miranda Tate/Talia al Ghul é a filha de Ra’s Al Ghul e a mente criminosa por trás do plano do Bane. Ela poderia até anular o Bane, já que sua presença o transformaria em um mero coadjuvante, mas sua atuação pífia a transforma em apenas uma boa surpresa no final do filme. Merda.

Ainda falando sobre as atuações e saindo do assunto Vilões, mais palmas para Gary Oldman, Morgan Freeman e Michael Cane por mais uma rodada de ótimas atuações. Ouvi gente no cinema fungando na cena em que Alfred está no “enterro” de Bruce Wayne e me arrepiei pra caralho na cena em que Batman dá a dica para Gordon da sua verdadeira identidade.

Achei fantástica a forma com que Nolan introduziu Robin na história do filme, homenageando todos os Robins sem forçar a barra, transformando-os em um só: John Blake, órfão como Jason Todd, policial como Asa Noturna e descobrindo a identidade secreta do Batman sozinho como Tim Drake. Final incrível, com a brecha para Blake ser o novo herói mascarado, Wayne estando finalmente em paz consigo mesmo, Gotham salva novamente e com o Batman de inspiração para que os cidadãos a mantenham assim.

Com isso, a franquia que mais me empolgou na última década acabou, deixando uma satisfação maior que o esperado. Foi a melhor adaptação de quadrinhos que já vi e duvido que irei ver uma tão boa ou melhor em um futuro próximo. Mas, quem sabe, pode ser a inspiração para outras produções, já que mostra que adaptações podem ser melhor produzidas com inteligência do que com efeitos especiais. É esperar pra ver. Abraço!

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